domingo, 26 de agosto de 2007

Por mapas, trilhas, bússolas e alto-mar

Texto e Foto Ana Inês


Estávamos na Praia do Forte, Bahia, e em nosso roteiro muitos passeios foram ansiosamente traçados para sete dias. A parada obrigatória era no Projeto Tamar, mas, acima de tudo, nos demos permissão para aventuras. Tivemos as primeiras idéias a partir de um mapa ilustrado da praia, que encontramos em nossa pesquisa na Internet. Localizamos as piscinas naturais e, do outro lado, o curioso encontro do rio com o mar. Imaginamos a diversão certa para quem alcançasse aquela mistura da água doce e escura, com as ondas brancas salgadas. Vimos ainda a histórica Casa da Torre, chamada de Castelo Garcia D´Ávila, e nem sabíamos o quanto seria divertido andar pelas ruínas em labirintos, ou subir o caminho de barro a bordo de um tuc-tuc (uma carretinha de três rodas inspirada nos mini-transportes da Índia e da Tailândia).

Nessa época, de julho a setembro, a observação das baleias Jubarte que freqüentam a costa em busca de águas mais quentes para a reprodução da espécie também movimenta o turismo da região. Eles deixam o visitante animado para assistir, de perto, ao espetáculo montado por sua “simples” aparição. E, como qualquer um, estávamos permeados pelo assédio das operadoras que fazem o passeio.

Passados dois dias com tantas informações sobre o passeio em alto-mar, estávamos nos conformando em não realiza-lo. Uma das operadoras com a qual entramos em contato não permitia o embarque de menores de cinco anos, assim não poderíamos levar Caio. Nossas opções seriam fazer o passeio em dias alternados (eu e Davi, Íris e Daniel), o que quebraria nosso roteiro juntos, todos os dias; ou a gente podia alugar uma lancha com outro grupo, alternativa muito cara. Até que, no final da tarde do domingo, visitamos o Instituto Baleia Jubarte e ficamos de retornar na terça, quando estaria reaberto para visitação.

Em nosso penúltimo dia na praia, e única manhã de tempo mais fechado, com sol ameno e vento forte, observamos o quanto a escuna (aquele barco que nos levaria para ver as baleias) estava balançando... “ainda bem que não estamos lá”, brincamos com bom humor, enquanto construíamos um castelo de areia prestes a ser invadido pela espuma das ondas. Eu e Daniel voltamos no tempo e entramos na brincadeira. Levantamos as torres do Castelo e até um grande canal e uma barreira. De nossa fortaleza podíamos gritar: “barco à vista!”, e parecia mesmo que estávamos nos preparando para enfrentar um grande navio pirata.

No meio de tudo isso, fotos, fotos e mais fotos... como zomba o capitão Daniel. Por isso, tínhamos que guardar um espacinho na memória da câmera pra registrar a visita marcada para aquela tarde, ao Instituto. O primeiro ponto pra foto seria ao lado do esqueleto de uma Jubarte com mais de 13 metros, montado logo na entrada do Instituto. Então, já no início da noite, depois que ficamos encantados com tudo o que aprendemos sobre esse cativante mamífero, saímos direto para uma agência de turismo há poucos metros dali e acertamos nosso passeio para o dia seguinte. Pronto! Completaríamos nosso roteiro sem deixar de cumprir o que seria a parte mais excitante da viagem. A possibilidade de ver as baleias Jubarte de perto talvez tenha sido o que mais nos atraiu desde o início.

Nossas aventuras na Bahia:
A bênção de Vinicius de Moraes
A hora do “sim” é o descuido do “não”
Os Camaradas: Jorge Amado e Luiz Carlos Prestes
Próxima parada: umbigo da Bahia

Um comentário:

Juliana disse...

Dois jornalista, baleias jubartes e uma família linda como essa, isso sim é que é um passeio fantástico.

Beijo grande pra todo mundo e pra cada um

Laércio, Juliana, Lucas e João