sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Livro Livre: solidariedade ao pé da letra


Por Ana Inês

Tão criativa quanto, e até mais instrutiva que a mania norte americana das “Cartas em caixas” (letterboxing), é a idéia do “Livro Livre” que está crescendo no Brasil.

Mesmo que as “Cartas em caixas” sejam divertidas, principalmente pelo lado inusitado e aventureiro de quem as esconde ou procura a partir das pistas divulgadas pela Internet, pode não ser uma brincadeira tão segura em alguns lugares que deixam vulneráveis aqueles que saem em busca do tesouro perdido. Alguém marca um determinado lugar, esconde uma caixa com uma caderneta de anotações, divulga na Internet e só espera que um interessado (às vezes descuidado) apareça. Talvez pra nossa realidade não seja uma boa.

Já, o “Livro Livre” pode de fato virar uma mania saudável e, de quebra, estimular e democratizar o hábito da leitura entre brasileiros de todas as idades e faixas sociais. A brincadeira sem fronteiras já registra quase 600 mil leitores livres em todo o mundo e funciona da seguinte maneira: em um determinado lugar público (bares, cibers cafés, paradas de ônibus...) você tem acesso a um livro já doado por um outro leitor. Pegue o livro emprestado, como se estivesse numa biblioteca, e repasse-o quando concluir sua leitura. Você pode deixá-lo em qualquer outro lugar público, para que outro leitor tenha a mesma oportunidade.

E, para quem já percebe no mundo literário muitas portas abertas, a brincadeira pode começar ainda em casa: indo à estante e soltando um de nossos títulos ao mundo dos leitores sem fronteira. Inclusive os infantis.

O livro livre começou a conquistar espaço no Brasil agora em 2007, mas já desperta a leitura itinerante desde 2001, quando o norte americano
Ron Hornbaker, criou a “Bookcrossing”. Essa primeira versão em larga escala do “Livro Livre” surgiu a partir de outra dessas idéias que têm conquistado o mundo: a “Photo Tag”. Aqui, em cada cidade, o “Livro livre” assume um perfil. Alguns lugares já adotaram uma base de dados para registro e mapeamento dos livros itinerantes, tentando garantir que voltem ao local de origem ou que, pelo menos, seus leitores compartilhem experiências. Mas, também há aquele público que não está preocupado com o reencontro das obras e apostam mesmo na literatura como alternativa e força solidária.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Próxima parada: umbigo da Bahia

Por Daniel Cruz
Foto Ana Inês

Ainda em Salvador lembramos que em nosso roteiro de viagem havíamos programado uma ida a algum forte. Então, perguntamos inocentemente no hotel: - No Centro Histórico existe alguma fortaleza que podemos conhecer? O rapaz, solícito, responde: - Sim, o Forte de São Marcelo foi restaurado há pouco tempo. – Que legal! Obrigado! Então, fizemos um passeio de ônibus pela beira-mar de Salvador, descemos na Praça da Sé e chegamos ao incomum elevador Lacerda.
Do alto vimos o Forte São Marcelo - ainda quando o trauma e o enjôo de navegar em alto-mar, durante quatro horas e meia para assistir ao balé da baleia jubarte na praia do forte, causava sofrimento na cabeça e no estômago do quinteto. De repente, um embrulho na barriga.

Sabe onde fica a Fortaleza? Lá vai: No meio do Mar! - Cancela a visita! Barco Não! (Ouve-se em coro). Todos gargalham. Mas, a pompa do Forte e a proximidade com a terra, há trezentos metros, fez Ana, a Bela Inês, ponderar: Esse rápido passeio vai nos livrar do trauma da náusea e, além do mais, o forte parece legal. Decisão tomada. O quinteto paga VINTE E CINCO CENTAVOS para descer no elevador e vai para o cais do porto. No meio do caminho passamos no mercado modelo para pechinchar com os artesãos.

Pegamos o barco cheios de desconfiança mas, em cinco minutos chegamos ao imponente batizado de Forte de Nossa Senhora do Pópulo e São Marcelo. Único forte circular das Américas construído no meio do Mar, em bancos de Arrecifes. Do século XVII, ele foi importante na defesa de Salvador e do País durante longos anos. A vista é sedutora.

Enquanto a brisa do mar massageia nosso rosto, admiramos o casario antigo que mescla o cenário com os prédios modernos. O novo que destoa e se perde de vista. Em 360º nos deliciamos com a vista do mar e das ilhas no horizonte. Guias detalham a história do forte bem conservado, de forma material e imaterial.

Um delicioso restaurante, com quadros náuticos, desperta curiosidade no quinteto, que degusta na cozinha do imperador: uma salada de folhas verdes, de entrada, carne de sol com purê de macaxeira e queijo qüalho (prato montado com delicadeza) e, para terminar, um sorvete de creme com mangas flambadas ao vinho tinto desperta o aroma da felicidade.

Na volta ao continente, a imagem do forte vai se afastando nas águas lisas da baía de todos os Santos. Essa fortaleza, que Jorge Amado batizou de “Umbigo da Bahia” e o insensível Imperador Dom Pedro II, em seu diário de viagem, descreve parecer, durante o dia, "com um empadão”. No império, talvez os quitutes tivessem gosto de pólvora.
Nossas aventuras na Bahia: